Bandeira de Minas Gerais: Libertas Quae Sera Tamen

Tudo sobre a bandeira de Minas Gerais: o que significa Libertas Quae Sera Tamen, arquivo png, história da bandeira de mg e “mais um bocado de trem, uai”.

29/05/2022 - 20:24

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Bandeira oficial do Estado de Minas Gerais

Bandeira do estado de Minas Gerais: Liberdade Ainda que Tardia

A bandeira de Minas Gerais é o principal símbolo de Minas Gerais. A bandeira é branca, contendo ao centro um triângulo equilátero – três lados iguais – vermelho. Sendo este triângulo, contornado com uma frase em latim: LIBERTAS QUAE SERA TAMEN, comumente traduzida como “Liberdade Ainda Que Tardia”.

Frase essa, que acabou sendo o lema da Inconfidência Mineira (também conhecida como Conjuração Mineira). A principal revolta que aconteceu na história do estado de Minas Gerais, foi, organizada por parte da elite de Vila Rica (que mais tarde se tornou a capital Ouro Preto). Incluía intelectuais, religiosos, fazendeiros e militares.

A atual bandeira do estado de Minas Gerais foi instituída pela Lei Estadual 2.793/63 no dia 8 de janeiro de 1963. E foi sancionada pelo então governador José de Magalhães Pinto.

O que está escrito na bandeira de Minas Gerais ?

Em primeiro lugar, é importante ressaltar que os dizeres da bandeira de Minas Gerais é uma frase em latim: LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN, e foram inspirados na bandeira que seria adotada após a Inconfidência Mineira de 1789.

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O idealizador da frase na bandeira de MG seria o poeta Inácio José de Alvarenga Peixoto, popularmente conhecido como Alvarenga Peixoto (1742 – 1793). Ele era um dos inconfidentes mineiros e teria se inspirado em versos do grande poeta romano Virgílio (70 a.C. – 19 a.C.), nas Éclogas e Bucólicas: “Libertas, quæ sera tamen, respexit inertem“, cuja tradução mais usada é “A liberdade, que embora tardia, contudo, olhou para mim, inerte”.

Libertas Quae Sera Tamen

A frase na bandeira de Minas Gerais aparece assim:

Entenda como ler o Lema da bandeira de Minas Gerais. Essa imagem representa de forma fiel a posição do texto na bandeira.
Frase na bandeira de Minas Gerais
  1. na parte superior esquerda a palavra: LIBERTAS;
  2. na parte superior direita as palavras: QUÆ SERA;
  3. e na parte inferior a palavra: TAMEN.
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Por fim, o que está escrito na bandeira de Minas Gerais:

LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN

Qual a tradução da bandeira de Minas Gerais?

A tradução da bandeira de Minas Gerais mais usada pelos mineiros é Liberdade ainda que tardia. Todavia há controvérsias sobre a tradução do que está escrito na bandeira de Minas Gerais, “LIBERTAS QUAE SERA TAMEN”.

Alguns historiadores acreditam que a tradução mais fiel seria: “Liberdade ainda que tardia, todavia…”, o que não faria sentido semanticamente falando. Então, sendo assim, para os que defendem essa tradução do lema da bandeira de MG, a frase em latim correta seria “LIBERTAS QUÆ SERA”, sem o “TAMEN”.

Bandeira de Minas Gerais significado

O significado da bandeira de Minas Gerais está intrinsecamente ligado aos ideais da Inconfidência Mineira, que por sua vez, foi influenciada pela Revolução Francesa e pela Revolução Americana (independência dos Estados Unidos).

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E para entender qual o significado da bandeira de MG, em primeiro lugar, devemos dissociar o símbolo de Minas Gerais (triângulo equilátero vermelho) e o significado do lema da bandeira de Minas Gerais.

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Significado da bandeira de Minas Gerais

O triângulo é uma referência à Sagrada Trindade. Assim sendo, a ideia da sua incorporação na bandeira oficial do estado de Minas Gerais foi do Alferes Joaquim da Silva Xavier, popularmente conhecido como Tiradentes.

De acordo com a Maçonaria (Tiradentes e outros conjurados faziam parte desse grupo), a Sagrada Trindade representa a união dos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Sendo estes ideais, os mesmos elementos que compõem o lema da Revolução Francesa.

Cores da bandeira de Minas Gerais

As cores da bandeira de Minas Gerais são 3, sendo elas:

  • branco ⚪️
  • vermelho 🔴
  • preto ⚫️

Mas qual o significado das cores da bandeira de Minas Gerais?

  • O branco representa o poder executivo;
  • O vermelho representa o ideal revolucionário da Inconfidência Mineira;
  • O preto é a cor para destacar o lema “libertas quae sera tamen”.
Bandeira do Estado de Minas Gerais hasteada e tremulando.
Bandeira do Estado de Minas Gerais hasteada e tremulando

História da bandeira de Minas Gerais

A atual bandeira de Minas Gerais, é um “pouco” recente, pois a lei estadual que a regulamentou é de 8 de janeiro de 1963. Contudo, a sua aparência como a conhecemos, com fundo branco, e, ao centro um triângulo equilátero, contornado pela frase em latim, data do ano de 1789, no momento em que aconteceu a Conjuração Mineira, frequentemente chamada de Inconfidência Mineira.

Para aprofundar no tema, antes de mais nada, é preciso entender algumas premissas da história da bandeira de Minas Gerais. Apesar da bandeira oficial ter sido instituída só em 1963, vale ressaltar, que estamos falando de uma bandeira com mais de 233 anos de história.

E a mesma, foi alvo de muitas reuniões durante o período da Conjuração Mineira. É fato, que os conjurados nunca perderam a bandeira do movimento de vista. Basta conferirmos os Autos da Devassa, que vamos encontrar depoimentos dos principais nomes da Inconfidência Mineira falando sobre o processo de criação da bandeira.

Foram muitas rodadas de conversa e reuniões secretas para chegar a versão definitiva da bandeira do movimento de Inconfidência, que viria a se tornar a bandeira oficial do estado de Minas Gerais no Século XX.

A bandeira “definitiva” do movimento foi uma junção das sugestões de três Inconfidentes: 

  • Cláudio Manuel da Costa (fundo branco)
  • Tiradentes (triângulo único equilátero)
  • Alvarenga Peixoto (frase em latim)
Os Inconfidentes – por Carlos Oswald de 1939

Bandeira da Inconfidência Mineira

A cidade era Vila Rica, no final do século XVIII e, testemunhos registrados nos autos da devassa davam conta de que os inconfidentes não descuidaram dos símbolos da futura república: e a  bandeira da inconfidência mineira, já esboçada, fora alvo de inquirição da coroa portuguesa.

E ainda que, as menções de delatores e réus iam acontecendo, a bandeira da inconfidência Mineira permanecia imprecisa e inconclusiva, aos olhos da coroa.

Contribuições de Tiradentes e Alvarenga Peixoto

Durante as inquirições não apenas extraíram versões conflitantes dos inconfidentes. Mas também começaram aparecer depoimentos, que sempre apontaram para as lideranças de Tiradentes e Alvarenga  Peixoto  no  desenho  do  símbolo  cívico  da  república  que  nunca  existiu.

Um depoimento que relatou a liderança de Tiradentes e do Alvarenga Peixoto, foi a delação de Cláudio Manuel da Costa, na única inquirição a que foi submetido, no dia 2 de julho de 1789. Dois dias depois, foi encontrado morto em uma cela improvisada na Casa do Real Contrato em Vila Rica, Minas Gerais.

Na ocasião, o poeta Cláudio Manuel da Costa, respondendo aos inquiridores – “se os conjurados já tinham tratado de levantar armas ou bandeiras” –, sem descrever a bandeira, Cláudio, declarou não haver dúvida do que Alvarenga dissera, “em certa ocasião, que deveriam incorporar uma frase em latim na bandeira da inconfidência mineira, que dissesse: Libertas quæ sera tamen”.

Embora as delações que originaram o processo judicial – não façam referência à bandeira, os inquiridores estavam previamente informados, de um rascunho existente do símbolo da inconfidência mineira, e sondavam, por meio de Cláudio, a que minúcias o projeto emancipacionista chegara.

Contribuições do Juiz da devassa José Pedro Machado Coelho Torres

O Desembargador e Juiz da Devassa, José Pedro Machado Coelho Torres, escreveu (datável do 2º semestre de 1789) sobre as investigações até aquela altura. Que diziam, haver “integrantes”  confessos  da  “Conjuração Mineira”  que delatavam Alvarenga  por  planejar “o  símbolo e o lema da bandeira”. Já Cláudio Manuel da Costa, “era o sujeito que tratava das reuniões secretas a respeito do movimento de conjuração, uma das quais foi a respeito da bandeira da Inconfidência Mineira”.

Ainda o mesmo desembargador, em ofício de 11/12/1789 a Luís de Vasconcelos e Sousa, vice-rei do Estado do Brasil, foi a primeira pessoa a escrever que a bandeira teria uma figura humana quebrando as correntes. Embora esse detalhe não tenha surgido em nenhuma delação anterior.

Mais contribuições de Alvarenga Peixoto

O relato mais minucioso, aconteceu dia 14 de janeiro de 1790, na 2ª inquirição de Alvarenga Peixoto. Que vale a pena ser transcrito na íntegra.

O local da discussão foi, possivelmente, a  residência  de  Gonzaga, onde estavam reunidos: Alvarenga, Cláudio e Carlos Correia de Toledo e Melo, o rico vigário da Vila de São José do Rio das Mortes:

{…} se falou em umas bandeiras, que o Alferes Joaquim José da Silva Xavier tinha idealizado para servirem na nova premeditada República, que eram: três triângulos enlaçados em comemoração da Santíssima Trindade, se lembrou o Doutor Cláudio Manuel da Costa, das bandeiras da República Americana, que era um gênio da América, quebrando as correntes com um lema “Libertas a quo Spiritus” (Liberdade do espírito). Não obstante, o Doutor Cláudio sugeriu um segundo lema “Aut libertas aul nihil” (Ou liberdade ou nada).

Nesta fase, o projeto da bandeira da inconfidência mineira já é composta por uma tríade de triângulos defendido por Tiradentes e contraposto por Cláudio Manuel da Costa – a quem Alvarenga conta a ideia de ter o “gênio da América” libertando-se de correntes adotado como símbolo e o lema em cima: LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN.

Primeira bandeira da Inconfidência Mineira de 1789
Primeira bandeira da Inconfidência Mineira de 1789

Cor da bandeira da inconfidência mineira

Esta bandeira, fortemente influenciada pela Revolução Francesa, adotou as cores da bandeira francesa:

  • branco representante do Poder Executivo
  • azul do Poder Legislativo
  • vermelho do povo

Contribuições de Tiradentes

Tiradentes sugeriu uma bandeira com um único triângulo, sem lema ou frases. Não há consenso histórico em relação ao símbolo da bandeira. No depoimento realizado na prisão, Tiradentes afirma não se lembrar de nenhum lema proposto e que o triângulo representaria a “Sagrada Trindade”, com o escrivão adaptando automaticamente este termo para “Santíssima Trindade” ao registrá-lo nos autos do processo.

Sagrada Trindade ou Santíssima Trindade?

Tiradentes e outros líderes da Inconfidência faziam parte da Maçonaria, onde o termo “Sagrada Trindade” faz referência aos ideais da Revolução Francesa: liberdade, igualdade e fraternidade. Não há confirmação se Tiradentes fez referência à Santíssima Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – da Igreja Católica (talvez para não comprometer os conjuradores que também eram maçons) ou se o termo foi adaptado pelo escrivão e passou despercebido.

Bandeira proposta por Tiradentes

Acredita-se também que Tiradentes tenha sugerido o verde, cor-símbolo da Revolução Francesa, para ser a cor original do triângulo. Apesar de nos autos da devassa não haver referência a nenhuma cor. Futuramente, se confirmarmos a autoria do verde por Tiradentes, reforçaremos ainda mais, a ideia de que o triângulo tinha significado político revolucionário e não o cunho religioso.

Bandeira proposta por Tiradentes

A possibilidade que parece mais razoável, é a de que, a união das ideias criou o esboço da bandeira dos inconfidentes mineiros. O fundo branco proposto por Cláudio Manuel, foi mantido na bandeira e, em torno do triângulo verde de Tiradentes, se escreveria o lema “LIBERTAS QUÆ SERA TAMEN” sugerido por Alvarenga Peixoto. Devido ao alto grau de vigilância da Coroa Portuguesa em Minas Gerais, esta bandeira não chegou a ser feita. A bandeira de Minas que foi criada para ser adotada após a Independência, que só aconteceu, de verdade, 33 anos após a Inconfidência Mineira, em 1822. Já a República foi proclamada alguns anos depois, em 1889.

Bandeira da Inconfidência Mineira de 1789

Após a independência do Brasil (1822), durante um tempo, as repartições públicas mineiras chegaram a usar ao mesmo tempo, em locais diferentes, bandeiras com o triângulo vermelho e outras com o triângulo verde.

Atual bandeira de Minas Gerais

A atual bandeira de Minas Gerais foi instituída com o triângulo vermelho, cor escolhida pela Assembleia Legislativa, pois representa o ideal revolucionário. E claro, um tributo ao sangue derramado por Tiradentes.

As 10 bandeiras de Minas Gerais

Fotos da Bandeira de Minas Gerais

Bandeira de Minas Gerais vetor

Bandeira de Minas Gerais e do Brasil

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Camilla Viriato
Camilla Viriato

Mineira, empreendedora e bacharel em direito, fundou o etd em 2016 pelo direito de saber de cada brasileiro e brasileira. Acredita que através da informação simples e organizada é possível incluir todas as pessoas na democracia, tornando-as mais livres.

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